Wednesday, September 30, 2009

Tentar e chorar.

foi tudo um sonho,
meu bem,
um sonho ruim
numa noite solitária.
às vezes, no entanto,
eu não queria ter acordado dele.

O teu amor...

me atravessa o peito
como uma faca
cortando pele
músculo e nervo.

atravessa o peito
feito eletricidade
e quase me queima
como fogo.

Na mesa.

na minha mesa
tem escrito o teu nome
de várias formas
a lápis, caneta, faca.

na minha mesa
tem escrito o teu nome
com tinta e sangue,
com carinho.

Sunday, September 27, 2009

Isso Sim é estranho.

às vezes eu a queria comigo
só para que ela me chamasse de bobo
por conhecer agora
algo que ela já amava.

às vezes queria-a comigo
só para que ela me falasse algo
com paciência na voz
e me tratasse como uma criança
que precisa de colo, de ajuda,
porque eu preciso
e ela sabia disso, ela sempre soube.

às vezes eu queria que ela estivesse comigo
mesmo estando com quem quer que a fizesse feliz.

E isso também é estranho, amiga.

eu nem lembro da tua voz,
mas acho que se eu quisesse
eu poderia ouví-la
em tons que nunca pude realmente escutar,
entoando frases que nunca disseste.

E isso é estranho, amiga.

às vezes sinto sua falta
como de uma manhã bem fria
quando eu queria um dia de sol.

Saturday, September 26, 2009

Vermelho.

eram vermelhas escuras
as lágrimas que vertiam dos olhos
naquela noite triste e silenciosa.

ela cantava suas dores
e um violão arranhava os acordes
lamuriosos das canções que nunca escreveu.

ele vomitava seus prantos
num canto qualquer
para quem quisesse ouvir.

eram vermelhas escuras
as lágrimas que caíam dos olhos,
cheias de horror, cheias de medo.

O prisma.

ela sorri, misteriosa,
por trás da fumaça do café,
do cigarro,
do ambiente,
e ele tenta descobrir o porquê dela estar fazendo tudo aquilo.

ele sorri
porque acha que é o que ela espera que ele faça quando seus olhares se cruzarem
e logo fica sério porque é o que acontece quando não há motivos para sorrir.

os dois são estranhos uns aos outros,
um ao outro,
como luz da lua e luz do sol -
mesmo que não haja diferença entre as luzes, mesmo que seja a mesma.

no fim, ambos se decompõem em setes espectros no prisma
e não há nada que se possa fazer para mudar,
não importa quantos sorrisos haja de um lado
ou do outro.

Wednesday, September 23, 2009

Compartilhamos.

na pia do banheiro
eu cuspo um pedaço meu
do que foi teu
um dia.

Monday, September 21, 2009

O imortal.

lembro de você
sentado na sombra
de domingo
escutando as tuas músicas
que hoje são minhas
(muito obrigado por isso).

lembro de você
sorrindo com os amigos
na garagem da casa
enquanto todos bebiam, fumavam,
se divertiam.

eu não era nada além de uma criança, mas lembro bem da alegria
que era estar ali contigo.

hoje eu lembro de muitas e muitas coisas.
lembro porque é bom fazê-lo,
porque, assim, serás eterno
como já é.

Thursday, September 17, 2009

Oi?

garota,
se você me quer
eu te quero.

e é assim que vai ser.

agora, me diga,
garota,
como se soubesse das coisas,
como se fosse uma mulher crescida, me responda,
você me quer?

Sorriso.

tua língua tocava meu pescoço
e eu sentia na espinha,
tua respiração
ofegante chegava ao meu ouvido
e eu sentia no meu peito.

tua boca procurava por mim
e eu me sentia bem por isso.

quando parei para pensar sobre aquele dia,
sobre aquele momento exato,
percebi com um leve sorriso no rosto
que havia em mim um grande sorriso na alma.

Tuesday, September 15, 2009

"o teu amor faz cometer loucuras."

queimar meu corpo na tua janela -
o cheiro de querosene enxarcando a alma -
só pra você me notar entre palavras ardentes
de amor.

Monday, September 14, 2009

te vejo.

te vejo do outro lado da rua
corro pra perto e arranco nossas peles.

quero te sentir
como nunca senti
quero que me sintas
como nunca sentirás.

te vejo do outro lado da cama
e rolo para perto
para entrar em você como poucos outros fizeram.

quero te ouvir como gosto de ouvir
quero te fazer dizer o que gosto de ouvir.
ao meu ouvido.

"tantas vezes você disse que me amava tanto..."

mas quantas delas eram verdade?

"esqueceu de tanta coisa que um dia me falou."

se era pra não lembrar,
meu bem,
se era pra simplesmente negar o que passou,
era muito melhor nunca ter acontecido.

"e eu acho que você já nem se lembra mais..."

e eu me pergunto todo santo dia
se sou só eu ou se com você é assim também.

mas eu lembro.

não, não choro só
ao perceber minha solidão.

Estranho.

minha alegria
era tão triste
quando eu te perdi.

e hoje
minha tristeza
é alegre por ti.

Tato.

quero tua carne entre meus dentes,
tua coxa na minha boca.

quero sorver o sal da tua pele,
conhecer-te inteira com o tato da língua.

Canção feliz,

quero que você cante comigo
qualquer música
até cairmos no sono.

quero que você cante
para me acordar.

quero que nossa vida seja uma música boa
que toda hora está a tocar.

La Belle du Jour.

não foi pra ela que eu escrevi meu primeiro blues,
mas ela é dona das melhores canções que já cantei.

Os medos que a madrugada traz.

gostava dela
porque ela era minha ouvinte,
minha conselheira,
minha irmã,
minha amante,
minha amiga,
minha mãe.

tudo o que uma mulher
de verdade poderia ser.

gostava dela por tudo o que ela era para mim
e não pelo que ela podia ser para os outros.

hoje
não sinto falta apenas dela,
de sua pouca carne sobre seus ossos,
seu gosto que mal me recordo,
sinto falta da irmã que perdi,
dos conselhos que jamais terei,
do ouvido que já não me escuta,
da amante que já não ama,
da irmã que se perdeu,
da mãe que faleceu,
da amiga que perdi.

sinto falta da idéia
de uma pessoa como ela.

e tenho medo,
medo mesmo,
quando penso que talvez
essa tenha sido minha única chance de segurar alguém assim
e eu tenha perdido.

A madrugada traz o mal.

hoje eu sinto tua falta
e acho engraçado
pensar em tudo isso,
lembrar de você.

hoje eu sinto a tua falta
como nunca antes senti.

hoje precisei da tua palavra de consolo
e dos teus conselhos
e das tuas idéias.

hoje eu me peguei pensando
no quanto você mudou
e se deixou de ser a pessoa
que tanto amei.

numa vã esperança que talvez não tenha,
penso em discar teu número,
te deixar uma mensagem,
buscar você onde quer que for...

mas viro para o lado,
fecho os olhos
e durmo.

Me escreva uma carta ou cartão postal e deixe-o por aqui.

esperamos pelo melhor, meu bem,
esperamos porque é tudo o que podemos fazer.

esperamos pelo melhor,
porque é o melhor que podemos fazer.

e eu te quero o melhor,
te quero o melhor porque é só isso que mereces.

o melhor da sorte pra ti.

Incapaz.

eu queria
escrever palavras bem bonitas
como o teu rosto,
os teus olhos...

O mundo, o mundo.

espero a tua ligação
por toda a madrugada,
mesmo sabendo que você não me prometeu nada
(talvez seja exatamente a falta de compromisso
que me dê esperança de uma surpresa maravilhosa
como a tua voz me acordando no meio desse inferno quente
de pensamentos indesejados
que é a madrugada sem você).

espero a tua ligação
quase sem pegar no sono.
e, quando acordo, sei que não verei teu rosto sorrindo
com uma xícara de café preto fumegante em mãos,
recém passado pelo filtro, perfumando toda a casa.

me bate uma tristeza pensar em tudo o que eu quero de você
e nunca tive, nunca terei,
me cansa lembrar de coisas que não vão acontecer.

a madrugada inteira passou
sem você me dar um traço de vida
e eu agora sinto a vontade do mundo dentro do meu peito,
o medo do mundo, as frustrações do mundo, o mundo, o mundo.

o sol já passeia lá fora.
lá fora é lá fora...
não importa o lá fora
porque eu quero você
aqui dentro
comigo.

Eu quero as coisas estranhas, porque estranho é que é bom.

eu quero que você me acorde.

só isso.

se você me acordar, meu bem,
estarei bem, feliz.

eu quero que você me faça dormir
acarinhando minha cabeça que repousa
no teu colo quente.

quero que você me beije
e sugue meu sopro de vida.

eu quero morrer nos teus braços
quando chegar a hora de deixar de existir.

eu quero sorrir pra você
e quero te ver sorrir pra mim.

eu quero as coisas mais tolas do mundo
mas quero todas elas só se forem
com
você.

Friday, September 11, 2009

Coisas.

eu gosto é do silêncio
entre uma palavra e outra,
entre olhares,
entre beijos.

eu gosto das palavras
entre um silêncio e outro,
entre os olhares,
entre os beijos.

eu gosto da tua voz me dizendo
coisas.

eu gosto dos teus ouvidos
me ouvindo dizer coisas.

gosto quando dizemos coisas,
porque, de alguma forma,
que não sei bem como,
nem por que,
eu sinto que contigo há espaço
para se falar coisas.

gosto das tuas coisas,
dos teus livros espalhados pelo chão
e dos cds nas prateleiras,
gosto de como você não gosta das minhas músicas
e não conhece meus livros.

gosto porque teus olhos brilham
e você sorri
e eu me sinto bem
e falamos coisas
e fazemos coisas
e sentimos coisas.

gosto porque é bom
enquanto existe.

e é bom que exista.
é bom.

O sol me chamou.

você era o sol entrando pela fresta da janela
pela manhã
e eu sentia o teu calor percorrendo todo o espaço
até me tocar.

você era, também, o vento que soprava
pelo mesmo espaço
e que beijava suavemente meu rosto.

eu sinto falta de você
como dessas manhãs de domingo
onde só havia eu e você lá dentro
e isso nos bastava.

Meine Blumen sind Blumen.

ich muss die Worten sprache
ich muss für dich sprache
mein Mund am deine Ohr
und du musst meine Fragen hören
bitte, hörst meine Worten
sie sind auf meine Kopf,
sie sind auf mein Herz
sie sind für dich.

Tuesday, September 08, 2009

As borboletas quando voam parecem tubarões.

sonhei essa noite
que eu te ligava
e, depois de meses,
você me atendia
sem apelidos carinhosos,
sem frescuras.

"oi"
você me disse
e eu quase desabei.

eu estava um pouco bêbado e não sabia o que fazer.
eu respondi com um oi,
explicando quem era e
dizendo que fazia tempo que a gente não se falava
e que talvez fosse tempo demais.

você ficou calada.

"eu sinto a tua falta" eu disse
do fundo do coração
e expliquei que não era a falta que faz a amante na noite fria
e solitária, onde tudo o que se quer
é o corpo quente do lado.
falei que sentia falta dela como pessoa, como amiga,
que achava um pouco estranho toda distância que existia entre nós
não mais física, apenas.

e ela me perguntou como eu estava e outras coisas
e eu disse como estava e disse as outras coisas,
ela ficou em silêncio quando eu disse que descumpri minha promessa,
já eu sorri, sozinho.

eu quis perguntar tantas coisas,
coisas demais,
algumas sem respostas e outras sem vontade de tê-las
como você deixou claro.

depois de um silêncio demorado demais
pensei que fosse a hora de dizer adeus
e eu pensei em implorar,
sou bom em implorar, você sabe mais que ninguém,
mas preferi não me humilhar mais.

disse boa noite e te desejei o melhor, sempre.

o melhor, meu bem, pra ti.

e você me disse tchau e me chamou pelo nome que você me deu
o nome que nos caracterizava.

eu desliguei e houve uma revoada de borboletas
um transbordamento de represas,
que significavam o fim.

Lirismo.

a gente tem
que arrancar amor
da pedra,
do suor
e da vontade.

a gente tem que arrancar
o amor do coração.

Das coisas que ela disse.

ela, com ar de sabedoria,
achando ser o meu melhor, me disse:
"você nunca vai encontrar uma outra como eu."
e eu, sem pestanejar,
retruquei:
"e quem disse que vou procurar
uma outra como você?"

Mata minha fome.

a água está no copo
e você, onde está?

Um adeus.

levanta em silêncio,
como se fosse uma parte da noite,
como se fosse a última sombra do mundo antes do sol nascer -
que vai se desfazendo com a luz ao redor até que a raio derradeiro a toca
e deixa de existir.

caminha para longe,
porque é lá que quer estar,
já que aqui é um lugar que traz lembranças ruins demais para qualquer um,
já que aqui é o último lugar para se desejar estar.

a cada passo leve pensa em dizer adeus,
cada vez que sente o chão frio,
sente na alma um adeus.

se vai,
sem que ninguém note, voando
como as horas boas que passamos juntos.

todas as vezes que te vejo são mentiras.

você me diz coisas no ouvido
e eu finjo que não escuto.

você me diz segredos
sobre a vida e sobre a morte
sobre como tudo isso não faz sentido nenhum
e como ter fé não adianta de nada.

mas eu ignoro tudo o que tua voz diz.

você me diz que as coisas
são do jeito que são por seus motivos
e me explica cada um deles,
mas não adianta
porque tua voz não é ouvida por mim.

você me diz que há tanto amor
e sentimento no mundo inteiro
e em você...
em você... e é por isso que não acredito.

A cidade que nunca cerra os olhos.

na cidade que nunca dorme,
somos dois anjos caídos entre latas de lixo.

você é quente e eu sou frio,
juntos fazemos o conforto de muita gente,
separados somos desconfortáveis,
como uma tarde no saara,
uma noite no atacama.

na cidade que nunca dorme,
somos estranhos perfeitos.

você é o dia, eu sou a noite,
e cada um de nós é necessário por seus motivos,
para o trabalho e para os sonhos.

na cidade que nunca dorme,
nós somos um casal de namorados.

você é linda e eu sou feio
e cada um de nós é visto
em todos que na cidade passeiam.

Monday, September 07, 2009

Tchau.

eu sonhei que você me dizia:
vamos embora daqui.
levantava
e saia sem dizer mais nada.

eu, deitado,
fiquei atônito e solitário
enquanto você abria minha porta
e sumia.

Thursday, September 03, 2009

O som.

você foi apenas mais uma canção de amor
que tocou (n)a minha vida.

apenas mais uma canção de amor
que, como todas as outras faixas,
chegou ao fim.

Wednesday, September 02, 2009

Teus cabelos.

teus cabelos cresceram
nesse tempo sem mim
teus olhos, no entanto,
não mudaram nem um pouco
apesar de tudo o que já viram.

tua pele, tua boca,
teu nariz...
você continua a mesma pessoa que me abandonou,
mas é tão diferente do que foi.
eu acho.

às vezes eu sinto tanto a tua falta,
mas não porque meus planos de futuro -
que nunca aconteceram -
eram com você,
mas porque era minha minha melhor amiga.

às vezes eu lembro...
quase sempre lembro
do teu nome, do teu cheiro, da tua voz...

teu cabelo hoje passa mais de quatro dedos de onde estava quando te vi
pela primeira,
pela última vez...
desde então, nunca criei esperança de um dia nos reencontrarmos.

mas hoje eu te vi de alguma forma
e, dentro de mim,
senti a tua falta.

A quarta rua à esquerda.

na quarta rua à esquerda,
há uma mulher
cujos olhos são vazios
como seu coração.

se você encará-la por um tempo
poderá ver o futuro inteiro,
conhecer coisas que ninguém mais sabe,
entender os grandes mistérios.

na quarta rua à esquerda,
há uma mulher
que não é morta
porque tem pulsação.

se você dormir com ela
e lhe der o prazer que quer
ela te dará o mundo inteiro.

na quarta rua à esquerda,
há uma fila de cadáveres do que um dia foram sonhos
e esperanças.

Tuesday, September 01, 2009

Acho que ela se foi.

quase certeza de certas coisas
que não são certas assim.

acho que perdi muita coisa,
mas o que mais queria perder
ainda está comigo.

você acredita na sua cabeça.

são apenas fotos
e lembranças.

é tudo o que tenho
de um tempo que nunca vivi.