Wednesday, November 14, 2018

Doze

hoje faz doze
vezes doze
que o amor
ou a ideia de amor
que é bem mais famosa e interessante e importante
que o próprio amor em si
começou a ser explorado
descrito e desenhado e escrito
cento e quarenta e quatro meses
de rimas de amor e dor.

Sunday, July 29, 2018

Veremos.

ressurge a vontade que deveria morrer
aquela que deveria calar
aquela que deveria sumir.

mas não.

ela ressurge, sem vergonha alguma
de tudo o que ela pode acarretar
(minto, há a vergonha, e ela grita alto para que não deixe que isso aconteça,
mas já não há forças para resistir às vozes
que comandam
a poesia),
e bem numa tarde de domingo
em que o sol resolveu aparecer para secar as roupas que ainda não estavam no varal,
mas que deveriam estar,
porque o sol estava lá fora esperando por elas
e não saberíamos quando apareceria de novo.

a vontade ressurge num dia em que qualquer vontade poderia aparecer
mas seria melhor se não houvesse mais vontade alguma,
mas a ausência dela traz a angústia
que faz pensar que deveria haver algo
onde não há,
mas houve.

o buraco ainda existe
não um vazio
mas um buraco
porque antes estava lá
e alguma coisa arrancou aquilo dali
eu mesmo arranquei
por medo do que poderia acontecer
se seguisse esse percurso.

mas hoje ela voltou
quietinha
como quem procura entrar num ambiente sem ser notada
como quem deseja apenas estar ali
num lugar familiar que há muito tempo não via
avaliando as discrepâncias entre a lembrança e a realidade
com maravilha no olhar.

espera
não sabe pelo quê
mas espera
com o coração cheio de desejo
de ficar.

vamos ver como vai ser.

Thursday, June 29, 2017

Silêncio

Eu engulo os teus barulhos
Ruídos roídos
E me seguro
Para não trovejar os silêncios.

Tuesday, June 27, 2017

Terça feira.

Hoje você me chamou de inútil,
Deu um soco no meu braço
Pelas minhas costas,
Me disse que eu não sirvo para nada mesmo,
Só para apanhar,
E chorou.

Chorou como sempre faz
Fechada em você mesma,
Sem perceber que embora não haja dor física
Socos matam.

Saturday, October 08, 2016

Calados.

Falamos por não termos espaço para agir
E embora muitos de nós acreditemos
No poder da mudança
Achamos que ela não virá para nós.

Sonhamos porque é só isso que nos cabe
Não há espaço para outras coisas
Que não sejam o tecido frágil da esperança
Costurado pelo desejo de mudar.

Embora gritemos algumas vezes
Somos esquecidos ou escolhidos para sermos abandonados
Por ser assim de alguma maneira mais fácil

Nos calar entre gritos dados uns aos outros
Destruídos por dentro
Desejos mortos.

Sunday, September 04, 2016

Aquele com a?

Por que ao olhar nos teus olhos
Sinto-me fraquejar
Como um animal depois de ser atingido por seu predador -
A adrenalina correndo já se esvai
Junto ao sangue pelas feridas -
E parece que minha coluna é feita de gelatina
Gelada
Que começa a escorrer?

Seria isso um sentimento bom?
Ou é só o medo de um sentimento?

Saturday, September 03, 2016

Assuntos.

por diversas vezes me perguntei
sobre o que falávamos depois que nossos corpos calavam
e o que fazíamos para quebrar
uma parede imensa e quase - que cliché - intransponível
que se ergueu entre nós dois
como o tesão um dia pareceu crescer também.

depois talvez tenha descoberto o que fazíamos
quando não havia nada para fazer
e me sentia sozinho deitado ao teu lado.

mas só talvez.

às vezes eu penso que não descobri nada sobre mim mesmo
e que não sei nada sobre você, também,
afinal, como se pode ter qualquer certeza sobre o outro
quando sobre nós
há tantas dúvidas?