Sunday, August 17, 2014

As ruas lá fora.

as ruas lá fora estão cheias de vida
que pulsa de forma constante,
explodindo de tristezas e insatisfações,
transbordando sentimentos e frustrações.

as ruas lá fora pululam
repletas de pessoas
com sonhos e vontades
talentos não explorados e incapacidades.

as ruas lá fora são quase mortas
não fossem as milhares de pessoas que lá transitam
em ônibus, carros, bicicletas, caminhando sobre seus próprios pés
como o coração do carlos perguntou
"para quê tanto pé, meu deus?"
se a maioria caminha para lugar nenhum?

a lua sobe no céu lá fora,
mas se esconde por trás de meia dúzia de nuvens
porque sente vergonha de não ter por quem brilhar.

o mar mareja lá fora,
subindo e descendo sua maré,
anseia pelo momento em que devorará mais uma vez o mundo.

aguardemos.

por enquanto temos as ruas asfaltadas
liberando o calor absorvido ao longo do dia,
servindo de passarela para os notívagos e
prostitutas: mulheres
em corpos de homem, mulheres em corpos de mulheres.

temos os sons que nunca se calam
as luzes iluminando
a noite avançando.

Dia perdido.

o dia inteiro perdido
por motivos maiores que eu ou você
maiores que a distância entre nós.

o dia inteiro perdido
mesmo que eu tenha pego os livros
e tentado decifrá-los,
mesmo que eu tenha escrito
e tentado colocar sentimentos em palavras
e falhado.

o dia inteiro perdido
mesmo que eu tenha telefonado para meus pais
e tenha me preocupado
e tenha sentido amor, carinho,
pena.

o dia inteiro perdido,
cada uma das vinte e quatro horas,
perdido porque não sei o que fazer,
porque volto a sentir em mim
a falta de propósito.

o dia perdido
e não há mais onde encontrá-lo.

Depressão.

faz uma semana que eu não leio
faz dias que não vejo teus olhos
e não provo tua boca
e não ouço tua voz
quando acordo.

faz uma semana que não sinto em minhas mãos
as páginas secas de um tomo cheio de histórias
e faz tempo demais que não tenho meus braços ao redor do teu corpo
e minhas mãos segurando tua cintura
e o cheiro dos teus cabelos
invadindo meu rosto.

faz tanto tempo que não tenho você
que até não lembro
de quando foi que deixei de ler.

Thursday, August 14, 2014

Há braços.

te fazer minha risoflora
e em teus braços me abrigar
procurando neles o ninho
que eu possa chamar de lar.

Wednesday, August 13, 2014

Mudança.

hoje, no dia treze do mês de agosto de dois mil e catorze
(ou quatorze, como preferirem)
aconteceu um evento que veio a mudar as estruturas do meu país
(mas não de maneira permanente, apenas uma nova cratera na lua,
nada que mudará sua órbita).

o curioso, devo sinalizar,
é que ontem à noite
enquanto trabalhava,
escutei a voz do homem que queria mudar o brasil
(como se ninguém mais prometesse mudar essa poça estagnada)
e parei para pensar que não há mudanças significativas para o presente.

enquanto não houver aquele que sonhe em não deixar seu nome
escrito em quatro ou oito anos,
mas sim pela eternidade,
haverá atraso e tristeza e miséria
no pior sentido da palavra: miséria da alma.

enquanto houver sonhos de mudar ontem o agora,
não haverá amanhã.

Como?

onde está o calor do toque que anseio
e o cheiro suave do corpo
que desperta em mim desejos de um longo amanhã
nesse domingo cinza, apesar da luz do sol,
apesar do por do sol,
apesar de toda a ação que acontece lá fora.

sem que ela esteja ao meu lado,
como posso dizer que um dia foi bem vivido?

Monday, August 11, 2014

Volúpia.

A volúpia reside
Em tuas curvas,
Teus gestos e olhares.

Tua volúpia vive em teu corpo inteiro.

Ao acordar, quando dorme
E enquanto revira os olhos
E bufa impaciente.

Tua volúpia vive a despertar em mim
Sensações de possessão:
Possuir teu corpo
E te fazer dizer que és minha.

Meu desejo vive em ti.

Wednesday, August 06, 2014

Isqueiro.

acenda meu fogo
queime
em mim
um pedaço de si.

acenda meu fogo
com tua língua
e arda.

acenda meu fogo
que cansei
de esperar.

O desejo do mundo pela má literatura.

o mundo deseja ver sangue:
tristeza e sangue impregnados nas carnes
e nos ossos de todos.

o mundo anseia pela carnificina,
pelo terror, pela anti-vida,
o mundo deseja a morte da poesia
e de tudo o que é lindo.

não compreendo os motivos
dos desejos do mundo,
e nem mesmo posso fazê-lo,
pois sou apenas um, e não o mundo.

o mundo, ao ver que eu me sentiria melhor
com ele não fazendo as coisas que faz,
talvez então optasse por me tirar de seu caminho,
e eu me veria sozinho,
antes de não mais ver.

o mundo não se saciará só com meu sangue,
meus poucos litros de rubor,
sempre ansiará por mais.